sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Rondônia · 02/10/2025 · 3 min de leitura

Porto Velho celebra 111 anos e revela 10 mil anos de história escondida no Madeira

Porto Velho completa 111 anos de criação oficial neste 2 de outubro, mas sua história ultrapassa séculos. Pesquisas arqueológicas apontam que a região já era habitada há pelo menos 10 mil anos por povos indígenas que deixaram marcas profundas no território banhado pelo Rio Madeira.

Escavações conduzidas por pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) revelaram vestígios impressionantes: artefatos de pedra lascada e polida usados em tarefas cotidianas, microvestígios botânicos e até mesmo solos enegrecidos conhecidos como “terra preta”, resultado de antigas práticas agrícolas. Esse tipo de solo, fértil e rico em nutrientes, transformou a forma de cultivo na Amazônia e teve seus primeiros registros justamente em Rondônia.

Há cerca de 8 mil anos, populações indígenas que viviam na região já cultivavam plantas, armazenavam alimentos e desenvolviam técnicas de sobrevivência. Foram eles os responsáveis pela domesticação inicial de espécies como abóbora, feijão, cará e mandioca, que mais tarde se tornariam base alimentar de todo o continente.

Povos e culturas diferentes em um mesmo território

Diversos sítios arqueológicos identificados ao longo do Rio Madeira mostram que diferentes povos, com línguas e tradições próprias, ocuparam ou passaram por Rondônia ao longo da história. Locais como as cachoeiras de Santo Antônio, Jirau e Teotônio se destacavam como pontos de grande movimentação, seja pela abundância de peixes ou pela posição estratégica para encontros e trocas.

O avanço português e os primeiros registros

O primeiro contato documentado entre colonizadores e povos indígenas ocorreu em 1722, durante expedições lideradas pela Coroa Portuguesa para mapear o Rio Madeira diante do risco espanhol na região. Logo depois, em 1723, foi criada a Missão de Santo Antônio do Madeira, usada como núcleo de conquista territorial, onde indígenas eram escravizados e forçados à conversão religiosa.

A partir de 1750, postos fiscais passaram a ser instalados, consolidando a presença portuguesa. Evidências arqueológicas mostram registros de ocupação na Cachoeira do Teotônio e em Jirau, áreas hoje transformadas pelas usinas hidrelétricas.

Resistência indígena

Entre os povos da região, os Mura ficaram marcados pela intensa resistência à colonização. Exímios navegadores, usavam o conhecimento do rio para impedir o avanço dos colonizadores, chegando a afundar embarcações em defesa do território. Essa luta se estendeu por mais de cem anos e custou caro: perseguições, perda de território e ameaça de extinção da língua e tradições.

Para eles, o Rio Madeira não era apenas um meio de sobrevivência, mas um território de memória que conecta gerações e preserva a identidade indígena.

Muito além do aniversário

A celebração dos 111 anos de Porto Velho não se limita à fundação oficial da cidade. A data relembra uma história milenar, marcada por povos que moldaram o território, resistiram à colonização e deixaram marcas visíveis até hoje.