domingo, 18 de outubro de 2026
Economia · 17/10/2026 · 2 min de leitura

Sem reajuste real de benefícios, renda do interior cairia até 10,8%

Estudo da USP aponta que estagnação ou cortes em benefícios sociais e previdenciários podem causar forte retração econômica em cidades do interior.

Levantamento do Made, centro de pesquisa da FEA-USP, aponta que a estagnação ou o corte de benefícios sociais e previdenciários pode provocar forte retração econômica em municípios do interior. Aposentadorias, Bolsa Família e BPC chegam a representar quase metade do orçamento das famílias mais pobres.

Dos 5.569 municípios do país, cerca de 4 mil ficam fora das regiões metropolitanas, onde o peso das transferências públicas chega a ser o dobro do verificado nos grandes centros. No Ceará, elas respondem por 22% da renda na capital e região metropolitana e por 40% no interior. Sem reajustes reais, a renda agregada do interior ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do cenário de valorização.

O estudo estima que a ausência de ganhos reais entre 2022 e 2025 teria levado cerca de 2,7 milhões de pessoas à pobreza fora das regiões metropolitanas, sendo 2,4 milhões à extrema pobreza. O Amazonas aparece entre os estados com perda estimada de cerca de 15% na renda do interior.

Para Rondônia e o restante da região Norte, onde há muitas cidades do interior, o estudo mostra que benefícios e aposentadorias afetam o comércio e o emprego locais, e não só as famílias atendidas. A discussão sobre reajustes, portanto, diz respeito ao fôlego econômico dos municípios menores.

Da Redação Mídia Extra