segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Política · 17/04/2025 · 2 min de leitura

Alero aprova relatório final da CPI das Reservas, que aponta nulidade em decretos de 11 unidades de conservação

Relatório do deputado Pedro Fernandes (PRD) foi aprovado por unanimidade pelos 17 deputados presentes e será enviado ao MP, ao TJ-RO e ao governo.

A Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) aprovou, em sessão extraordinária na quarta-feira (16), o relatório final da CPI das Reservas, relatado pelo deputado Pedro Fernandes (PRD). A votação foi unânime entre os 17 deputados presentes, em sessão com forte presença de produtores rurais das áreas atingidas.

A CPI foi instaurada em 2023 para apurar possíveis irregularidades nos processos que criaram 11 unidades de conservação estaduais e nos contratos de projetos de créditos de carbono com empresas privadas. A comissão teve como presidente o deputado Alex Redano (Republicanos), como vice Jean Oliveira (MDB) e como membros Lucas Torres (PP), Cirone Deiró (União Brasil) e Taíssa Sousa (Podemos). Em quase dois anos, realizou 17 reuniões, colheu mais de 40 depoimentos e analisou grande volume de documentos.

O relatório conclui que os decretos que criaram as unidades são nulos e sem embasamento técnico. Entre os pontos apontados estão decretos publicados sem a assinatura do governador, estudos técnicos insuficientes ou com assinaturas reproduzidas sem autorização, e consultas públicas ausentes ou ineficazes. Segundo o texto, moradores relataram insegurança jurídica, perda de acesso à terra e restrições a atividades como agricultura e pecuária em áreas ocupadas há décadas.

O documento também afirma que grupos empresariais foram beneficiados. No caso das usinas, a criação das reservas as isentou de indenizar famílias que ocupavam as áreas, e as comunidades teriam sido removidas sem compensação adequada. Essas são conclusões da CPI.

O relatório será encaminhado ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça de Rondônia e ao governo do estado, para análise e possíveis responsabilizações. O peso do relatório dependerá do que esses órgãos fizerem com ele.

Da Redação Mídia Extra, com informações da Folha Nobre